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Alguns dias, a cena tem se repetido: na esquina da minha rua, uma mulher fica sentada no meio-fio encarando os próprios pés ou com o olhar perdido no trânsito. Ela deve ter uns cincoenta anos, tem fortes traços indígenas, cabelo preto preso num coque e está sempre usando um vestido comprido preto com flores amarelas.

As vezes que passei por ela, segurando a vontade de fazer mil perguntas – maldita covardia! – percebi que não era a única a ter notado sua presença: a guarda que geralmente está ali pra controlar o trânsito na saída da escola infantil, também observava e parecia hesitar.

Hoje, enquanto eu estava passando, ouvi a guarda de trânsito fazer a pergunta que estava presa na minha garganta:

_ Senhora, poderia me dizer o que está fazendo sentada aqui?

Ela respondeu com ar místico:

_ É a dor. Dizem que todas as dores passam, mas é mentira! Tem dores que não passam, a gente que aprende a conviver com elas.

_ A senhora está com dor? Quer ir pra um hospital?_ a guarda disse.

Mas eu sabia que não era desse tipo de dor que a senhora no meio-fio estava falando…

Lembrei na hora da minha teoria do quarto dos fundos! Quem sabe amanhã eu não me sento com ela pra trocar algumas idéias…

Às vezes ouço alguma música e a letra bate tanto com o que eu queria dizer naquela situação e/ou momento que eu fico até pensando se o (a) compositor (a) me conhece e se eu lhe contei alguma coisa.

Às vezes eu leio algum parágrafo de uma reportagem, uma frase, um diálogo em algum livro, e acontece a mesma coisa. Como hoje de manhã, quando eu estava lendo a reportagem sobre déjà vu na minha querida Superinteressante, parei e fiquei com esses trechos na cabeça por horas:

” Tomografias no cérebro desses pacientes (que achavam que já sabiam tudo o que ia acontecer antes de realmente acontecer) mostram que sua massa cinzenta atrofiou no lobo temporal (logo atrás das orelhas), justamente a parte que governa a formação de memórias. A tese é que essas mentes acessam as lembranças na mesma fração de segundo em que elas são gravadas. E isso causa uma ilusão perene: o presente fica parecendo uma memória. É como se você vivesse o tempo todo no seu passado.”

Isso explica muita, muita coisa sobre a minha pessoa! Wow!

Desde que vi esse filme, penso na minha lista de “coisas para fazer antes de bater as botas” e sempre acrescento algo. Já está ficando grande, e talvez eu nem consiga cumpri-la. Se eu conseguir cumprir uns dez itens, já estou satisfeita! E não tem a preocupação de “não dar tempo”, porque comecei a realizar (ou pelo menos tentar) alguns itens desde já. Eu começo pelos mais simples, como conversas necessárias e alguns assuntos inacabados que espero acabar. Os mais complicados… envolvem esclarecimento de mágoas (presentes e passadas), viagens e alguns shows imperdíveis. No nível intermediário, milhares de filmes e livros inéditos, idiomas que não aprendi e faculdades que pretendo fazer. É muita coisa, coisa pra uma vida. Viver a vida fazendo tudo o que se quer sempre que possível, antes que as botas… batam.

Desejem-me boa sorte!

Então ela sorriu para a folha de papel em branco diante dela, porque era exatamente o que necessitava.

Falar com alguém inanimado através de palavras não ditas: sempre ouvira dizer que escrever aliviava. Despejar palavras diretamente do coração para o papel, sem pensar ou escolher. Apenas soltar, dizer com tinta da caneta o que nunca diria na frente de alguém.

Depois, como quem livra-se de um peso enorme, amassa a folha em formato de bolinha e faz uma cesta de três pontos na lata de lixo.

Na noite encalorada regada a quase um pote inteiro de sorvete e a busca de fotos recentes das nossas celebridades queridas, eu elaborei a teoria da foto sorvete – aprovada sob gargalhadas da minha irmã e do meu amigo.

É simples: através de uma análise da expressão da pessoa na foto, você constata que ela está pensando em sorvete, ou melhor, só pode estar pensando nisso, não existe outra explicação pra face da criatura!

Exemplo 1: Jake Gyllenhaal

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Saindo com pressa do restaurante, ele foi flagrado naquela situação de quem teve o olho maior que a boca e acabou comendo uma colherada muito grande de sorvete, o que deixa os dentes gelados e dá um arrepio. Foto sorvete!

Exemplo 2: Amy Adams

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O ar-condicionado na premiere de “Encantada” não estava dando conta do recado, e além do mais, ficar posando pra fotos abraçada com o Patrick Dempsey não ajudou a situação… Então Amy avista um fã no meio da multidão com um sorvete, e deseja com cada fibra do seu ser um também. Disfarçando, dá esse sorrisinho de calor. Mais foto sorvete!

Eu juro que meu sorvete não era de passas ao rum e que eu estava 80% sóbria quando elaborei essa teoria, que faz algum sentido, aaaah, faz!