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Sentou-se na confortável cadeira do computador, abriu um novo documento no Word. A página em branco era seu desafio, deslizar os dedos sobre as teclas formando palavras e frases era sua arte: o som do teclado, uma sinfonia de criatividade fluindo. Mesmo que momentaneamente, deligava-se do resto do mundo, não percebendo nada do que acontecia a sua volta. Aquele era seu mundo, o das palavras. Desejava com todas as forças ter o mínimo de talento para saber expressar-se através delas, sem deixar para trás nenhum texto, conto, livro. Os dias se passam e tudo o que ela quer é escrever, nem que seja qualquer coisa, nem que seja um desabafo que irá diretamente para a lixeira. Porque escrever é o que ela faz, bem ou mal, mas sempre.

Costumam dizer que quando estamos morrendo, o que vivemos passa como um filme diante de nós. É o que acontece com Ann: ela reflete sobre as escolhas que fez e as consequências delas, enquanto nos apresenta em flashbacks seu passado. É estranho pensar que tudo o que fazemos são escolhas, simples e complexas. Como escolher entre o amor verdadeiro e o conveniente para a época? Eu não teria as mesmas atitudes que Ann e sua amiga Lila em momentos cruciais, mas as entendo perfeitamente.

No filme, Meryl Streep e Mamie Gummer, mãe e filha na vida real, interpretam Lila – jovem e mais velha. A participação da Meryl é pequena e marcante – fez bem ao coração a cena com ela. Quem me chamou atenção foi Hugh Dancy, no papel de Buddy, irmão de Lila e amigo-apaixonado-bêbado-escritor frustrado dos tempos de faculdade com Ann. Nunca tinha dado muita atenção ao mr. Dancy, mas nesse filme ele ”entrou no personagem”, como diria minha mãe, e me deixou numa confusão de sentimentos por Buddy.

O filme estreou em julho desse ano, não sei se pode ser visto nos cinemas – eu assisti num cinema pequeno de Santos que geralmente passa filmes “mais artísticos” e fora do circuito comercial. Porém, sempre haverá uma locadora próxima (ou um site para download). Vale a pena!

 

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Crítica interessante sobre o filme aqui.

Porque comer muitos doces (e salgados também) engorda, mas só um pedacinho não mata ninguém! Eu fiz um blog para minhas aventuras (nem sempre muito felizes) na cozinha:

http://adventuresinkitchen.wordpress.com/

Já tem receita lá ;)

Digamos, pra resumir bem os fatos, que a maré não parece estar a meu favor esses tempos. Entre pensamentos, desejos e dores descompassados, surgem esporadicamente lampejos de animação. Os lampejos podem tornar-se um clarão?

 

“E o que resta é sem sentido
Fico perdido, sem direção
Fico danado e nado o rio São Francisco
Buscando remanso pro meu coração
Abaçaiadô, é assim que eu tô
Abraçando a dor, é assim que eu vou
Abaçaiadô”

Abaçaiado – O Teatro Mágico

Pequenas mágicas saindo do forno, primeira vez que tento a receita e elas ficaram muito boas. Fazer doces tem sido a alegria dos fins de semana, porque não tem mágica maior do que a dos sabores… Eu disse que não tem? Tem sim senhor! Palhaços, trapesistas, bonecas bailarinas, amigos queridos e música ótima: não há nada mais mágico do que o Teatro Mágico!

Alguns dias, a cena tem se repetido: na esquina da minha rua, uma mulher fica sentada no meio-fio encarando os próprios pés ou com o olhar perdido no trânsito. Ela deve ter uns cincoenta anos, tem fortes traços indígenas, cabelo preto preso num coque e está sempre usando um vestido comprido preto com flores amarelas.

As vezes que passei por ela, segurando a vontade de fazer mil perguntas – maldita covardia! – percebi que não era a única a ter notado sua presença: a guarda que geralmente está ali pra controlar o trânsito na saída da escola infantil, também observava e parecia hesitar.

Hoje, enquanto eu estava passando, ouvi a guarda de trânsito fazer a pergunta que estava presa na minha garganta:

_ Senhora, poderia me dizer o que está fazendo sentada aqui?

Ela respondeu com ar místico:

_ É a dor. Dizem que todas as dores passam, mas é mentira! Tem dores que não passam, a gente que aprende a conviver com elas.

_ A senhora está com dor? Quer ir pra um hospital?_ a guarda disse.

Mas eu sabia que não era desse tipo de dor que a senhora no meio-fio estava falando…

Lembrei na hora da minha teoria do quarto dos fundos! Quem sabe amanhã eu não me sento com ela pra trocar algumas idéias…

Por te tirar de minhas paredes, caí no chão. Cada pequena exclusão acaba tornando-se parte de mim indo embora também. Mas esse é o único jeito. Te expulsar milimetricamente…

Então ela sorriu para a folha de papel em branco diante dela, porque era exatamente o que necessitava.

Falar com alguém inanimado através de palavras não ditas: sempre ouvira dizer que escrever aliviava. Despejar palavras diretamente do coração para o papel, sem pensar ou escolher. Apenas soltar, dizer com tinta da caneta o que nunca diria na frente de alguém.

Depois, como quem livra-se de um peso enorme, amassa a folha em formato de bolinha e faz uma cesta de três pontos na lata de lixo.