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Acordou com uma agonia inexplicável no peito, uma eletricidade percorrendo seus braços. Alguns minutos sentado na cama e a solução veio: foi decidido até a área de serviço e pegou a vassoura, saindo de casa sem dar atenção a mulher que perguntava se ele não tomaria o café.

Quando em frente ao prédio onde morava, olhou ao redor e abençoou o outono: a calçada estava repleta de folhas. Pousando a vassoura no chão, começou a varrê-las, sentindo a eletricidade em seus braços fluindo e a agonia indo embora. Acabou de limpar a frente do prédio, resolveu varrer ali o prédio vizinho, e o outro, e o outro também. Um, dois, três, incontáveis montanhas de folhas secas organizadas como se estivessem em fila atrás dele.

A mulher gritou do portão: “Ficou doido, homem? Páre com isso!”. O porteiro do prédio deu risada: “Vai varrer o bairro todo?”. O homem achou uma boa idéia, dobrou a esquina e continuou varrendo. Deu a volta no quarteirão, com a mulher atrás dele tentando pará-lo e a vizinhança, que começava a sair de casa para o trabalho ou estudar, a olhar com desconfiança, dúvida, surpresa.

De volta ao local de partida, algumas folhas já estavam espalhadas novamente, mas ele estava livre. Passou a mão pela testa suada, deu um sorriso de satisfação e voltou pra casa.